A história da Educação
Infantil na Europa teve como início estudos de médicos e psicólogos que visavam
não só o bem estar social das crianças, mas também a evolução do intelecto.
Como o próprio texto do livro OLIVEIRA (2005, p.73) afirma:
“O psicólogo francês Alfred Binet defendeu ,
em 1898, a ideia de “pedagogia experimental” e deu início a elaboração de
escalas e teste de avaliação das funções psicológicas, os quais iriam exercer
grande influência nas futuras gerações de educadores.”
A Educação Infantil Europeia contou com
métodos, teorias e a aplicação de médicos que eram interessados pela Educação
Infantil, tais como, Ovídio Decroly e Maria Montessori. Decroly elaborou
atividades didáticas que visavam o funcionamento psicológico e do intelecto,
também trabalhava com crianças excepcionais. Montessori elaborou materiais
didáticos para o desenvolvimento motor e sensorial das crianças.
Após a Primeira Guerra
Mundial destacaram-se alguns pedagogos e psicólogos, tais como, Vygotsky na
década de 20 e 30, Wallon e Piaget, estes são alguns dos principais nomes do
ensino e precursores sobre metodologia de Ensino Infantil. Destaca-se também
após a Primeira Guerra Mundial o início do movimento das escolas novas, onde
muitos se posicionavam a favor de um ensino voltado especificamente para a criança,
com atividades voltadas para o desenvolvimento infantil e que não visava
preparar para a vida adulta. Não podemos deixar de citar também Freinet que
defendia a ideia de que a educação que era dada às criançasdeveria ir além das
salas de aula e interagir com as experiências vividas em no ambiente social,
entre outros métodos por ele elaborados.
A Educação Infantil na
Europa sempre teve a influência de teorias, estas apontavam que a estimulação
das crianças deveria ser precoce.
Durante o século XX ocorreram
várias mudanças no Ensino Infantil, muitas teorias sendo aplicadas, criação de
escolas voltadas exclusivamente para o ensino das crianças, foram criados os “play groups”, locais onde os pequenos,
filhos de pais abastados podiam desenvolver através de brincadeiras, onde
também os pesquisadores podiam avaliar
possíveis problemas saúde física ou mental.
Enquanto alguns estudiosos
acreditavam que o desenvolvimento da criança só se daria por meio de estímulos
precoces, outro estudioso acreditava que a separação precoce de mães e filhos
poderia ser prejudicial no desenvolvimento sadio da criança, essa era a teoria
de Jonh Bowlby.
Ao longo do século XX não
só os médicos, pedagogos e psicólogos foram os que contribuíram para a
transformação da Educação Infantil, a evolução da educação Europeia teve também
a contribuição dos antropólogos e sociólogos, que através de suas teorias
sociais e culturais elaboraram métodos e práticas educativas, tornando
inovador alguns modelos do Ensino
Infantil.
Atualmente na Europa a Educação Infantil de
cada país segue seu método e práticas de ensino, alguns acreditam que o ensino
deve começar com 5 anos de idade, outros com 6 e 7 anos. Algumas escolas vivem
de recursos públicos, empresas e também de recursos dos pais. Para ser um
educador infantil científico, somente em alguns países com Bélgica, Grécia e
Espanha é exigido diploma universitário.
A Educação Infantil no
Brasil acompanhou o que acontecia no mundo, contendo algumas particularidades.
Como em meados de do século XIX, o país era movido pela atividade rural, pouco
se via sobre creches ou parques infantis. Após a abolição da escravatura, foi
quando ocorreu à mudança do centro rural para o urbano e muitas crianças filhos
de ex-escravos ficaram perambulando pelas ruas e praças, a partir daí surgiu a ideia
de criar entidades de amparo devido ao alto índice de mortalidade
infantil. Neste período apenas crianças
filhos de pessoas ricas tinham acesso ao Movimento de Escolas Novas trazido da
Europa para o Brasil.
Após a proclamação da
república, houve uma mudança no quadro de trabalho, foram abertas fábricas que
necessitavam de mão de obra, mas muitos homens trabalhavam na lavoura, então
começaram a contratar as mulheres, muitas mães, não tinham com quem deixar os
filhos, então foi assim que algumas mães deixavam seus filhos com mulheres
cuidadoras e que cobravam por isso.
Quando os europeus vieram para o Brasil em busca de trabalho, começaram
a suprir a necessidade da mão de obra masculina e trouxeram alguns membros
politizados que lutava por melhorias de trabalho e inclusive na questão de onde
as mães deixarem os filhos para ir trabalhar. Foi quando alguns empresários
depois de negar as solicitações dos trabalhadores, começaram a pensar que seria
melhor tê-los ao seu lado, então criaram vilas, clubes esportivos, creches e
maternais para os trabalhadores, pensando no melhor rendimento do operário e
numa forma de mantê-lo sempre constante vigia.
A Educação Infantil
brasileira desde então tinha duas formas, a educação voltada aos filhos de pais
ricos, cujo havia um conteúdo voltado para formação das crianças baseada no
Movimento da Escola Nova trazido da Europa e a outra forma normalmente era uma
entidade assistencialista que visava apenas retirar as crianças da rua, para
redução da mortalidade infantil e resolver problemas de saúde pública.
Em meados dos anos 40
foram implantadas nas entidades que eram voltados para o atendimento à criança,
atendimento médico, voltado à saúde. Até a década de 50 havia poucas creches
fora das empresas e estas eram mantidas por entidades religiosas, que com o
passar do tempo passaram a receber ajuda do governo e de famílias ricas.
Em 1961 ocorreu um fato
importante para a educação brasileira, a criação da LDB – Lei de Diretrizes e
Base da Educação Nacional, com a criação da lei muitas mudanças ocorreram, tais
como, a inclusão do jardim de infância como sistema de ensino. A regulamentação
de que crianças de até 7 anos de idade receberiam a educação pré-primaria e
seriam ministradas aulas na nos jardins de infância ou maternais.
A educação, hoje no Brasil,
conta com melhor infraestrutura, boa formação de professores, material
didático, inovações tecnológicas e muitos outros aspectos que deveriam
favorecer a aprendizagem, mas não é o que os indicadores de aprendizagem
mostram.
Os indicadores como o SAEB
– Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico -, e ENEM – Exame Nacional do
Ensino Médio -, entre outros apontam resultados que não condizem com os
investimentos feitos na área. É muito comum ouvir queixas de professores tais
como: “os meninos de hoje não leem,
decodificam” – faltando a eles a
compreensão do que é ler, chegando ao final da educação básica com muitas
deficiências em ler e escrever.
Segundo
dados do PISA – Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes -, 13% dos
estudantes europeus saem analfabetos da educação básica, no Brasil a coisa é
ainda pior, dentre os analfabetos
funcionais temos cerca de 2% totalmente analfabetos, 13% analfabetos
rudimentares e entre os funcionalmente alfabetizados encontramos cerca de 55%
alfabetizados básicos, de acordo com dados do INAF- Indicador de Analfabetismo
Funcional - 2009.
São louváveis as ações
criadas para melhoria da educação, como projetos criados com foco na leitura e
escrita para os anos iniciais do ensino fundamental, que nem sempre são bem sucedidos,
pois obrigam os educadores a trabalharem em formação continuada
descaracterizando a condição individual de cada aluno.
Referência
Revista Nova Escola.
“Uma lenta caminhada.” Michele Silva fonte INAF Brasil 2009. Disponível: http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/avaliacao/uma-lenta-caminhada-analfabetismo-funcional-alfabetismo-inaf-instituto-paulo-montenegro-leitura-escrita-518768.shtml. Acesso em 08 de setembro de 2013.
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