terça-feira, 10 de dezembro de 2013

G5 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL EUROPEIA E BRASILEIRA


A história da Educação Infantil na Europa teve como início estudos de médicos e psicólogos que visavam não só o bem estar social das crianças, mas também a evolução do intelecto. Como o próprio texto do livro OLIVEIRA (2005, p.73) afirma:

“O psicólogo francês Alfred Binet defendeu , em 1898, a ideia de “pedagogia experimental” e deu início a elaboração de escalas e teste de avaliação das funções psicológicas, os quais iriam exercer grande influência nas futuras gerações de educadores.”

 A Educação Infantil Europeia contou com métodos, teorias e a aplicação de médicos que eram interessados pela Educação Infantil, tais como, Ovídio Decroly e Maria Montessori. Decroly elaborou atividades didáticas que visavam o funcionamento psicológico e do intelecto, também trabalhava com crianças excepcionais. Montessori elaborou materiais didáticos para o desenvolvimento motor e sensorial das crianças.
Após a Primeira Guerra Mundial destacaram-se alguns pedagogos e psicólogos, tais como, Vygotsky na década de 20 e 30, Wallon e Piaget, estes são alguns dos principais nomes do ensino e precursores sobre metodologia de Ensino Infantil. Destaca-se também após a Primeira Guerra Mundial o início do movimento das escolas novas, onde muitos se posicionavam a favor de um ensino voltado especificamente para a criança, com atividades voltadas para o desenvolvimento infantil e que não visava preparar para a vida adulta. Não podemos deixar de citar também Freinet que defendia a ideia de que a educação que era dada às criançasdeveria ir além das salas de aula e interagir com as experiências vividas em no ambiente social, entre outros métodos por ele elaborados.
A Educação Infantil na Europa sempre teve a influência de teorias, estas apontavam que a estimulação das crianças deveria ser precoce.
Durante o século XX ocorreram várias mudanças no Ensino Infantil, muitas teorias sendo aplicadas, criação de escolas voltadas exclusivamente para o ensino das crianças, foram criados os “play groups”, locais onde os pequenos, filhos de pais abastados podiam desenvolver através de brincadeiras, onde também os pesquisadores podiam avaliar  possíveis problemas saúde física ou mental.
Enquanto alguns estudiosos acreditavam que o desenvolvimento da criança só se daria por meio de estímulos precoces, outro estudioso acreditava que a separação precoce de mães e filhos poderia ser prejudicial no desenvolvimento sadio da criança, essa era a teoria de Jonh Bowlby.
Ao longo do século XX não só os médicos, pedagogos e psicólogos foram os que contribuíram para a transformação da Educação Infantil, a evolução da educação Europeia teve também a contribuição dos antropólogos e sociólogos, que através de suas teorias sociais e culturais elaboraram métodos e práticas educativas, tornando inovador  alguns modelos do Ensino Infantil.
 Atualmente na Europa a Educação Infantil de cada país segue seu método e práticas de ensino, alguns acreditam que o ensino deve começar com 5 anos de idade, outros com 6 e 7 anos. Algumas escolas vivem de recursos públicos, empresas e também de recursos dos pais. Para ser um educador infantil científico, somente em alguns países com Bélgica, Grécia e Espanha é exigido diploma universitário.
A Educação Infantil no Brasil acompanhou o que acontecia no mundo, contendo algumas particularidades. Como em meados de do século XIX, o país era movido pela atividade rural, pouco se via sobre creches ou parques infantis. Após a abolição da escravatura, foi quando ocorreu à mudança do centro rural para o urbano e muitas crianças filhos de ex-escravos ficaram perambulando pelas ruas e praças, a partir daí surgiu a ideia de criar entidades de amparo devido ao alto índice de mortalidade infantil.  Neste período apenas crianças filhos de pessoas ricas tinham acesso ao Movimento de Escolas Novas trazido da Europa para o Brasil.
Após a proclamação da república, houve uma mudança no quadro de trabalho, foram abertas fábricas que necessitavam de mão de obra, mas muitos homens trabalhavam na lavoura, então começaram a contratar as mulheres, muitas mães, não tinham com quem deixar os filhos, então foi assim que algumas mães deixavam seus filhos com mulheres cuidadoras e que cobravam por isso.  Quando os europeus vieram para o Brasil em busca de trabalho, começaram a suprir a necessidade da mão de obra masculina e trouxeram alguns membros politizados que lutava por melhorias de trabalho e inclusive na questão de onde as mães deixarem os filhos para ir trabalhar. Foi quando alguns empresários depois de negar as solicitações dos trabalhadores, começaram a pensar que seria melhor tê-los ao seu lado, então criaram vilas, clubes esportivos, creches e maternais para os trabalhadores, pensando no melhor rendimento do operário e numa forma de mantê-lo sempre constante vigia.
A Educação Infantil brasileira desde então tinha duas formas, a educação voltada aos filhos de pais ricos, cujo havia um conteúdo voltado para formação das crianças baseada no Movimento da Escola Nova trazido da Europa e a outra forma normalmente era uma entidade assistencialista que visava apenas retirar as crianças da rua, para redução da mortalidade infantil e resolver problemas de saúde pública.
Em meados dos anos 40 foram implantadas nas entidades que eram voltados para o atendimento à criança, atendimento médico, voltado à saúde. Até a década de 50 havia poucas creches fora das empresas e estas eram mantidas por entidades religiosas, que com o passar do tempo passaram a receber ajuda do governo e de famílias ricas.
Em 1961 ocorreu um fato importante para a educação brasileira, a criação da LDB – Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, com a criação da lei muitas mudanças ocorreram, tais como, a inclusão do jardim de infância como sistema de ensino. A regulamentação de que crianças de até 7 anos de idade receberiam a educação pré-primaria e seriam ministradas aulas na nos jardins de infância ou maternais.
A educação, hoje no Brasil, conta com melhor infraestrutura, boa formação de professores, material didático, inovações tecnológicas e muitos outros aspectos que deveriam favorecer a aprendizagem, mas não é o que os indicadores de aprendizagem mostram.
Os indicadores como o SAEB – Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico -, e ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio -, entre outros apontam resultados que não condizem com os investimentos feitos na área. É muito comum ouvir queixas de professores tais como: os meninos de hoje não leem, decodificam – faltando a eles a compreensão do que é ler, chegando ao final da educação básica com muitas deficiências em ler e escrever.
Segundo dados do PISA – Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes -, 13% dos estudantes europeus saem analfabetos da educação básica, no Brasil a coisa é ainda pior, dentre os analfabetos funcionais temos cerca de 2% totalmente analfabetos, 13% analfabetos rudimentares e entre os funcionalmente alfabetizados encontramos cerca de 55% alfabetizados básicos, de acordo com dados do INAF- Indicador de Analfabetismo Funcional - 2009.
São louváveis as ações criadas para melhoria da educação, como projetos criados com foco na leitura e escrita para os anos iniciais do ensino fundamental, que nem sempre são bem sucedidos, pois obrigam os educadores a trabalharem em formação continuada descaracterizando a condição individual de cada aluno.

Referência

Revista Nova Escola. “Uma lenta caminhada.” Michele Silva fonte INAF Brasil 2009. Disponível: http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/avaliacao/uma-lenta-caminhada-analfabetismo-funcional-alfabetismo-inaf-instituto-paulo-montenegro-leitura-escrita-518768.shtml. Acesso em 08 de setembro de 2013.

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